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Foto: Stockxpert by Jupiter Imagens
Ruídos urbanos são causa de estresse entre outros danos à saúde

Estudo revela que a poluição sonora não agride somente a audição


É fato que toda e qualquer cidade tem mais barulho que no campo. Porém, as que estão em crescente expansão, possuem, cada vez mais focos de ruídos que oferecem riscos a saúde auditiva. Estes ruídos estão presentes em toda Curitiba. São ruídos advindos do trânsito, como: buzinas, motores, barulho do pneu no asfalto, etc.; ruídos vindos da construção civil; bares, restaurantes e baladas com os seus diferentes sons e por meio da aglomeração de pessoas nestes lugares; aeronaves e os seus vôos baixos; etc. 

Em um estudo realizado por Ângela Ribas (consulte nas Fontes), foi mostrado que o ruído urbano trata-se de um problema de saúde pública, pois os danos ocasionados por ele afetam milhares de pessoas, prejudicando a qualidade de vida e a saúde.

As principais fontes de ruídos que causam incômodos foram identificadas pela população que participou do estudo - Incômodo Causado pelo Ruído Urbano: Avaliação da Resposta da População da Cidade de Curitiba. O trafego de veículos foi um dos principais com 73% e 38% identificaram o ruído gerado pelos vizinhos. O ruído da vizinhança também foi classificado como a principal fonte de desconforto, sendo que 100% dos questionados apontaram pelo menos um dos itens relacionados a vizinhança. Algumas fontes de desconforto são: vizinhos, animais, sirenes, construção civil, templos religiosos, casas noturnas, brinquedos e aparelhos domésticos. As principais reações descritas pela população de Curitiba neste estudo foram: irritabilidade (58%), baixa concentração (42%), insônia (20%) e dores de cabeça (20%).
           
Já no estudo de Ribas, foram descobertos alguns problemas mais graves como:  
- perdas auditivas, zumbidos;
- estresse, risco de hipertensão e infarto;
- isolamento social, queda da qualidade acústica na vizinhança e depreciação do valor dos imóveis.  
No diagnóstico ambiental do IPPUC, esses efeitos são mais extensos e ocasionam os chamados “efeitos clínicos”, os “não- clínicos” e os “efeitos não fisiológicos”.
Que são:

EFEITOS CLÍNICOS

• Hipoacusia: diminuição da capacidade auditiva, que poderá ser temporária ou permanente, dependendo do tempo de exposição e da intensidade;
• Presbiacusia: perda auditiva adquirida com a idade até então considerada normal;
• Hipertensão arterial;
• Stress;
• Taquicardia;
• Baixo rendimento intelectual e físico;
• Alteração do ritmo respiratório;
• Diminuição da secreção salival;
• Dificuldades com o aparelho digestivo;
• Acidentes cardiovasculares;
• Acidentes neurológicos.
EFEITOS NÃO CLÍNICOS
• Perda da concentração;
• Interferência na comunicação;
• Dificuldade na inteligibilidade da fala;
• Dificuldade na aprendizagem - quando ocorre próximo de escolas;
• Retardo da maturação intelectual;
• Desatenção no trânsito;
• Fadiga no final de um dia de trabalho.
OUTROS EFEITOS NÃO FISIOLÓGICOS
• Conflitos entre vizinhos;
• Multas sob o ponto de vista econômico;
• Comprometimento da qualidade de vida;
• Perturbação da vida animal.

No diagnóstico ambiental do IPPUC, são descritas algumas iniciativas para a redução das ocorrências de ruídos. As ações planejadas de urbanismo seriam uma alternativa para que se pudesse instalar barreiras acústicas, realizar o rebaixamento de trechos viários, cuidar com os materiais utilizados na construção civil para evitar os ruídos externos. As alternativas descritas no relatório com relação à frota de veículos podem ser educacionais para que os motoristas tenham a consciência de evitar acelerar o carro com ele parado, evitar freadas bruscas, minimizar o uso da buzina, controlar o volume do aparelho de som, revisar o motor e o escapamento do seu carro, procurar alternativas para a diminuição da frota e inspecionar anualmente o veiculo.

Mais de 470 toneladas por mês são coletadas em Curitiba de materiais recicláveis (fora os não associados). Se estes materiais recicláveis estivessem dispostos em 235 toneladas de papelão (R$0,18/kg), 116 toneladas de sacolinhas plásticas (R$0,40/kg) e 119 toneladas de garrafas pet coloridas (R$0,75/kg) essas 470 toneladas equivaleriam ao valor de R$177.950,00/mês em ‘lixo’, devido ao preço pago por quilo destes materiais recicláveis, segundo informações do Instituto Lixo e Cidadania. Este valor equivale a mais ou menos 324 salários mínimos por mês (R$547,80 – no Paraná).

No Paraná esse valor é bem mais alto, pois leva em conta 99 municípios que participaram do Diagnóstico de Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos de 2006 realizado pelo Ministério das Cidades – Secretaria de Modernização do Setor de Saneamento (PMSS). Neste diagnóstico foi apresentado que o total de materiais recicláveis coletados é de 153.474 toneladas/ano. Se este total fosse constituído em: 76.737 toneladas de sacolinhas plásticas (R$0,40/kg) e a outra metade fosse de papel colorido (R$0,16), isso daria o valor de R$ 42.972.720, o que equivaleria a 78.446 salários mínimos por ano (R$547,80 – no Paraná), ou 6537 salários mínimos por mês durante 12 meses.

Mesmo com todos esses valores em jogo, os catadores/carrinheiros que separam todo esse ‘lixo’ vivem com apenas um salário mínimo ou pouco mais que isso, pois o seu trabalho ainda não é valorizado e boa parte deste dinheiro fica com os “atravessadores” (pessoas que fazem a ponte entre carrinheiros/catadores e empresas que compram o material).

O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) conseguiu com reivindicações o reconhecimento do trabalho dos catadores pela Classificação Brasileira de Ocupações (COB), uma das primeiras conquistas do movimento. Segundo o MNCR “Esse foi o primeiro passo para o reconhecimento dos catadores como profissão”.

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Fontes para entrevistas:

- Angela Ribas, fonoaudióloga, doutora em meio ambiente e Desenvolvimento Humano .
angela.ribas@utp.br

- IPPUC, Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba
Rua Bom Jesus 669
Juvevê, Curitiba, 80035010
(0xx)41 3250-1414

- Paulo Henrique Trombetta Zannin, engenheiro Mecânico, doutor em Acústica Técnica.
Departamento de Engenharia Mecânica – Centro Politécnico
Bairro: Jardim das Américas, s/n, bl. IV. PG-05.
Tel/fax: (41) 3361 – 3433
zannin@demec.ufpr.br

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